Cada vez que nos apaixonamos, estamos tendo a chance de acertar. Estamos tendo a oportunidade de zerar nosso hodômetro. De sermos estreantes. Uma pessoa acaba de entrar na sua vida, você é 0km para ela. Tanto as informações que você passar quanto as atitudes que tomar serão novidade suprema - é a chance de você ser quem não conseguiu ser até agora.
Martha Medeiros
sábado, 15 de maio de 2010
Elisa Lucinda...
"A vida não tem ensaio
mas tem novas chances
Viva a burilação eterna, a possibilidade:
O esmeril dos dissabores!
Abaixo o estéril arrependimento
A duração inútil dos rancores
Um brinde ao que está sempre em nossas mãos:
a vida inédita pela frente
e a virgindade dos dias que virão!"
mas tem novas chances
Viva a burilação eterna, a possibilidade:
O esmeril dos dissabores!
Abaixo o estéril arrependimento
A duração inútil dos rancores
Um brinde ao que está sempre em nossas mãos:
a vida inédita pela frente
e a virgindade dos dias que virão!"
domingo, 13 de setembro de 2009
Te desejo uma fé enorme, em qualquer coisa, não importa o quê, como aquela fé que a gente teve um dia, me deseja também uma coisa bem bonita, uma coisa qualquer maravilhosa, que me faça acreditar em tudo de novo, que nos faça acreditar em tudo outra vez.
Caio Fernando Abreusexta-feira, 11 de setembro de 2009
Trechos do texto de Luiz Mendes publicado na Trip de junho de 2005
Amei desavergonhadamente, até que tudo ficasse dolorido demais para ser vivido. Parece que o que doía era o que fazia amar. Era como se a dor libertasse o que o amor despojava. (...) O mais dolorido de estar preso é ficar longe de quem amamos. Mas não amar ninguém é pior ainda. O tempo parece que pára nos dias sem amor. (...) O amor não é tão diáfano quanto imaginamos. Não faz levitar. Não há qualquer garantia de duração ou continuidade. A única certeza é que tudo deve ser uma conquista ininterrupta. Qualquer palavra mal colocada pode ser fatal. Relação a dois, antes de tudo, exige respeito. Paciência para ouvir argumentações e vontade para refletir e compreender. (...) Respeitar, às vezes, significa relevar, fazer vistas grossas. Silenciar, numa palavra. O amor é um desses quesitos básicos para que a relação íntima possa dar certo. Não se basta em si. Carece de recursos outros que nem sempre temos disponíveis. Então, podemos fracassar. Tudo bem, somos humanos. Os únicos cujos fracassos sedimentam vitórias.
Importa ver tudo com os olhos da realidade. Tudo o que temos são nossas experiências acumuladas que formam nosso conhecimento particular. O resto está sempre de passagem. As cores esmaecidas não podem ser apagadas. A lembrança busca carregar nas tintas e colorir as fases mais agradáveis. A mente tende a revisar a realidade, transformando-a em algo possível de ser superado. Por isso, por mais que soframos com a morte de alguém querido, a tendência é amenizar a dor até que assimilemos o golpe. São raras as pessoas que conseguem se relacionar entre si com a maior leveza do mundo. No geral, pelo que pude constatar aqui fora, relacionamento íntimo é esforço constante. Tudo parece estar por um fio, como uma réstia de luz desmanchando a penumbra. É preciso traçar novos vôos, um longo gesto para alcançar alguma coisa, mesmo que não saibamos o quê. Estou aprendendo. Meu último relacionamento a dois me ensinou que a vida é a força que se move para além da imaginação, encaminhando-nos para a realidade. O sentimento que nos unia virou bem-querer profundo, quiçá amor de verdade, desejo de felicidade sem posse. A relação a dois diluiu-se, mas deu certo. Pelo menos esse é o gosto que sinto. Não houve vencedores porque não saímos perdendo, muito pelo contrário. Hoje, solteiro, percebo que meus sonhos não eram falsos porque me fartaram de ensinamentos. Com certeza, da próxima vez, estarei mais capaz.
Pra quem não sabe, Mendes cumpriu pena de 31 anos e dez meses, por assalto e homicídio, e hoje vive em São Paulo.
Amei desavergonhadamente, até que tudo ficasse dolorido demais para ser vivido. Parece que o que doía era o que fazia amar. Era como se a dor libertasse o que o amor despojava. (...) O mais dolorido de estar preso é ficar longe de quem amamos. Mas não amar ninguém é pior ainda. O tempo parece que pára nos dias sem amor. (...) O amor não é tão diáfano quanto imaginamos. Não faz levitar. Não há qualquer garantia de duração ou continuidade. A única certeza é que tudo deve ser uma conquista ininterrupta. Qualquer palavra mal colocada pode ser fatal. Relação a dois, antes de tudo, exige respeito. Paciência para ouvir argumentações e vontade para refletir e compreender. (...) Respeitar, às vezes, significa relevar, fazer vistas grossas. Silenciar, numa palavra. O amor é um desses quesitos básicos para que a relação íntima possa dar certo. Não se basta em si. Carece de recursos outros que nem sempre temos disponíveis. Então, podemos fracassar. Tudo bem, somos humanos. Os únicos cujos fracassos sedimentam vitórias.
Importa ver tudo com os olhos da realidade. Tudo o que temos são nossas experiências acumuladas que formam nosso conhecimento particular. O resto está sempre de passagem. As cores esmaecidas não podem ser apagadas. A lembrança busca carregar nas tintas e colorir as fases mais agradáveis. A mente tende a revisar a realidade, transformando-a em algo possível de ser superado. Por isso, por mais que soframos com a morte de alguém querido, a tendência é amenizar a dor até que assimilemos o golpe. São raras as pessoas que conseguem se relacionar entre si com a maior leveza do mundo. No geral, pelo que pude constatar aqui fora, relacionamento íntimo é esforço constante. Tudo parece estar por um fio, como uma réstia de luz desmanchando a penumbra. É preciso traçar novos vôos, um longo gesto para alcançar alguma coisa, mesmo que não saibamos o quê. Estou aprendendo. Meu último relacionamento a dois me ensinou que a vida é a força que se move para além da imaginação, encaminhando-nos para a realidade. O sentimento que nos unia virou bem-querer profundo, quiçá amor de verdade, desejo de felicidade sem posse. A relação a dois diluiu-se, mas deu certo. Pelo menos esse é o gosto que sinto. Não houve vencedores porque não saímos perdendo, muito pelo contrário. Hoje, solteiro, percebo que meus sonhos não eram falsos porque me fartaram de ensinamentos. Com certeza, da próxima vez, estarei mais capaz.
Pra quem não sabe, Mendes cumpriu pena de 31 anos e dez meses, por assalto e homicídio, e hoje vive em São Paulo.
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